segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Kurt Cobain


Kurt Donald Cobain nasceu em Aberdeen, Washington, EUA, a 20 de Fevereiro de 1967.
 
 
Kurt foi o fundador e vocalista da banda Nirvana. Os outros elementos da banda chamavam-se Krist Novocelic e Dave Grohl.

Os Nirvana foram uma das bandas de referência do início dos anos 90. Ainda hoje continuam a ser uma das bandas com mais sucesso económico apesar de já estarem extintos!

O seu estilo musical apelidava-se de Grunge. Uma espécie de rock alternativo nascido nas garagens e estúdios de Seattle, de onde também vieram os Pearl Jam ou Alice in Chains por exemplo.

O albúm Nevermind é uma das grandes referências musicais de todos os tempos. Na capa, um bebé nu aparece submerso a nadar atrás de uma nota.
 
 
Para mim o seu maior legado enquanto artista, é o solo inicial de “Come as you are”. É algo tão bonito, inspiracional ou emocionante como um quadro de Picasso ou uma sonata de Mozart!

Kurt foi e ainda é uma personagem controversa.

Descendente de emigrantes Irlandeses, Alemães e Ingleses, Kurt sempre teve uma grande queda para as artes. O pai tentou inscrevê-lo em desportos como o wrestling ou baseball mas tudo o que ele queria era criar.

Desde pequeno que pintava nas paredes do quarto. Segundo pessoas que lá estiveram na altura, o quarto mais parecia um estúdio de arte!
 
 
Quando recebeu a sua primeira guitarra eléctrica, em 1981, começou desde logo a tocar covers e a compor as suas próprias músicas. Na altura, os pais disseram-lhe que tinha de optar entre uma bicicleta ou uma guitarra.

Aqui se prova que são as nossas escolhas que fazem o nosso destino. Mas nunca sabemos as consequências das mesmas. Talvez se Kurt tivesse escolhido a bicicleta, poderia ter sido o vencedor da Volta à França, nunca o saberemos…

A sua inspiração estava muito ligada a ideais políticos e sociais comuns às grandes lutas dos anos 80: defendia a homossexualidade e opunha-se ao sexismo, racismo e homofobia.

Chegou a afirmar: “Se algum de vocês de alguma forma odeia os homossexuais, as pessoas de cor diferente, ou mulheres, façam-nos um favor - deixem-nos em paz! Não venham aos nossos concertos e não comprem os nossos discos.”

Muitas das suas letras tendiam também a expressar sentimentos de frustração, raiva, depressão e medo, factores que tornavam as suas músicas populares entre os mais jovens.
 
 
Foi cristão até à adolescência mas rapidamente se tornou ateu e mais tarde Budista. A palavra Nirvana vem precisamente do Budismo e significava a liberdade da dor, do sofrimento e do mundo externo.

O divórcio dos pais, os novos movimentos urbanos, o consumo de drogas, a cultura do individualismo e todas as grandes tendências dos anos 80 marcaram profundamente a sua obra. Tinha uma má relação com a imprensa. Dizia que não o compreendiam a ele nem a mensagem que tentava passar na sua arte.

“Cresci de um modo muito isolado. Tornei-me anti-social. Comecei a compreender a realidade do universo em que vivia, que tinha muito pouco para me oferecer. Não encontrava amigos de quem gostasse, que fossem compatíveis comigo, ou que gostassem do que eu gostava.”

Em 1990, conheceu Courtney Love numa discoteca em Portland. Juntos tiveram uma filha, Francis Bean Cobain, que também enveredou pela área das artes, nomeadamente pintura, jornalismo e moda.
 
 
Courtney e Kurt tiveram uma relação conturbada e intensa. Foram muito noticiados devido a escândalos relacionados com o uso de drogas, nomeadamente heroína.

Kurt afirmou sobre Courtney: “Eu estava determinado a ser um solteirão por alguns meses… Mas eu sabia que eu gostava tanto de Courtney, que era uma luta muito difícil ficar longe dela por tantos meses.”

No dia 8 de Abril de 1994 o corpo de Kurt Cobain foi descoberto por um electricista na sua casa em Lake Washington.

Tinha 27 anos na altura.

Cobain suicidou-se com um tiro de espingarda na cabeça e o seu corpo demorou 3 dias até ser encontrado. No sangue encontraram uma grande quantidade de heroína e vallium.
 
 
Deixou uma carta de suicídio, afirmando que já não sentia emoção em criar música ou escrever… Tal como acontece na morte de muitas outras estrelas rock, há muitas teorias da conspiração acerca da sua morte. Uns dizem que possa ter sido a própria Courtney Love a disparar a arma. Um especialista em caligrafia afirma que há partes da carta de suicídio que não foram escritas por ele…

Foram 27 anos muito preenchidos e a viver no limite. Porque será que muitos dos grandes artistas estão também ligados a grandes tragédias?

"As maiores loucuras são as mais sensatas alegrias, pois tudo que fizermos hoje ficará na memória daqueles que um dia sonharão em ser como nós: Loucos, porém, FELIZES!"
 
 
 
Obrigado Kurt!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Inês Norton de Matos


Inês Norton de Matos nasceu em Lisboa em 1982.
 
A Inês faz um pouco de tudo no mundo das artes! Pintura, escultura, instalações, usa diferentes materiais e suportes, etc.. Ela é pois uma artista plástica no verdadeiro sentido da palavra. Ou seja uma artista misteriosa!

Quando lhe perguntamos quais os seus 3 artistas de referência ela disse que tinham de ser 4! São eles Louise Bourgeois, Joseph Beuys, Phyllida Barlow e Dalila Gonçalves.

A sua definição de arte é bastante elucidativa:  "Crio, acreditando que a arte é o caminho menos obstruido para a experienciação e que toca naquele milésimo de segundo anterior ao impulso de criar barreiras e encontrar conceitos, a que chamo verdade."

Esta nativa de signo Carneiro tem uma grande sensibilidade para a arte e é com grande prazer que apresentamos no Artes e Tartes as suas visões, o seu trabalho as suas motivações e sonhos!
 
Artes e Tartes - Lembras-te do momento em que começaste a pintar? Quais foram os teus maiores estímulos? Os pais? A escola?
 
Inês - Lembro-me do momento em que comecei a experimentar..juntar objectos, cola-los, fusioná-los, aglomerar matéria e admirar o resultado! A escola onde andei foi fundamental, sim! O Beiral, situado na floresta de Monsanto, é uma escola muito direccionada para a experimentação. Muito cedo tive acesso a um universo de cores e formas bastante estimulante. Tínhamos uma enorme sala de pintura, onde o barro, o gesso, as tintas e digitintas, eram ordem do dia...A natureza envolvente também ajudava a fomentar a liberdade de expressão..





AT - Para além da pintura tens outros suportes em que gostes de trabalhar? E que materiais usas na pintura? Óleo? Acrílico? Porquê a escolha destes materiais?

Inês - Hoje em dia, quando me perguntam o que faço, respondo que sou artista plástica, com toda a diversidade, abrangência e mesmo abstracção que lhe possa ser associada. Gosto quando fica no ar...
Trabalho essencialmente com madeira, imagens e luz. Mas também, (há imagens dos meus primeiros passos nesta área), gosto de reinventar objectos, agregando-os com outros que aparentemente em nada se aproximam de forma descontextualizada e metafórica. As telas continuam também a fazer parte do repertório que não pretendo condicionar. Interessa-me o potencial da plasticidade que os materiais permitem.

 
 
Nota: o trabalho da Inês pode ser visto em http://www.inesnorton.com/

Artes e Tartes - Como definirias o papel da arte na vida das pessoas em Portugal? Parece que no nosso país só se liga a futebol, quais são os teus comentários sobre sobre isto? Somos culturalmente inferiores?

Inês - Eu acho que esse papel tem vindo progressivamente a ocupar mais espaço nas agendas dos Portugueses. A Arte deixou se estar estanque em espaços fechados e hoje em dia, mais fácilmente chega ás pessoas nos mais diversos formatos. A dinâmica Cultural também tem vindo a melhorar e a arte a ser mais valorizada. Não nos considero de todo culturalmente inferiores. Talvez ainda pouco despertos para algumas questões.


Artes e Tartes - Os nossos leitores gostavam de saber com que artista (vivo ou morto) gostarias de jantar e porquê?

Inês - Louise Bourgeois, pela sua longa e vasta experiência neste plano terreno. Acredito que fosse uma longa e interessante conversa. Para criar o que criou, só podia ser uma excelente contadora de histórias! 


Artes e Tartes - Quais são as tuas maiores fontes de inspiração? Quando estás a criar pensas naquilo que os outros vão achar ou és completamente livre e fiel a ti própria?

Inês - A minha maior fonte de inspiração é estar consciente do privilégio que tenho, em fazer aquilo que gosto. 

 

Criar sem filtros, é sempre um grande desafio. A verdade está no foco e na energia que depositamos nos projectos em que acreditamos e nesse processo, não há margem para preocupações com o julgamento dos outros.

Artes e Tartes - Dentro do mundo das artes e sem qualquer tipo de filtro qual é o teu maior sonho? Onde gostavas MESMO de chegar?

Inês - Sem filtros, cá vai...um dia gostava de expor na Tate Modern em Londres ;) 


Obrigado Inês!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Análise económica da cultura e das artes

Hoje o Artes e Tartes faz uma análise económica da cultura na Europa e em Portugal. A arte pode ser subjectiva e não ter um valor objectivo, mas há indicadores que podem ser alvo de estudo e reflexão e que permitem compreender melhor esta área.

Vamos a isto!

Segundo um estudo do Eurobarómetro de 2007, 77% dos Europeus considera a cultura importante. E quanto mais elevado o grau de educação, maior é este número.

 
Para quem sabe de matemática, tira-se já uma conclusão: 23% da população Europeia acha que a cultura não é importante.

De acordo com dados de 2005 do Eurostat, a cultura corresponde a 3,9% das despesas familiares na União Europeia. Ou seja, por cada 1000 euros gastos, 39 euros são aplicados na área da cultura.

Portugal está ligeiramente abaixo da média, com cerca de 3%, mas à frente de países como a Espanha e a Itália.

De acordo com o mesmo estudo do Eurobarómetro, cerca de metade (45%), dos habitantes da União Europeia declaram ter participado numa actividade cultural nos últimos 12 meses.

Estas actividades vão desde cinema, espectáculos ou uma visita a um espaço cultural, que pode ser um museu ou uma galeria.

A educação é o factor sócio-cultural mais importante na determinação da participação cultural - pessoas com níveis culturais mais elevados tendem a participar mais. Não existem diferenças significativas na participação cultural segundo o género, com excepção da leitura: as mulheres tendem a ler mais livros e os homens mais jornais.

Quanto ao emprego, em 2009, a cultura representava cerca de 1,7% do emprego total na UE, em Portugal 0,9%.

Outro dado interessante são as exportações e importações de cultura. A UE exporta em valor mais do que importa: em 2009 as exportações foram 1,4 vezes as importações.

Mas este não é o caso de Portugal: as exportações representam 30% das importações. Os livros representam quase 80% dos “bens culturais” exportados por Portugal e os jornais lideram as importações.

Relativamente à relação entre cultura e turismo, a primeira potencia o segundo (talvez poderia haver um museu com as obras do Miró em vez de os vendermos!!). Confrontados com a necessidade de poupar nas férias, os europeus preferem cortar nos restaurantes e nas compras do que nas actividades culturais.

 Algumas conclusões destes dados:

- Portugal está abaixo da média europeia no que diz respeito a gastos em cultura.

- A educação potencia a cultura,

- Portugal tem uma balança comercial deficitária no que diz respeito a cultura.

- O turismo está ligado à cultura de um país e aumenta consoante as opções culturais disponíveis, sejam elas museus ou espectáculos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Haruki Murakami

Haruki Murakami nasceu em Quioto no Japão em 1949.
 
 
Murakami é um escritor. Um excelente escritor por sinal. Apetece-me arriscar que um dia será laureado com o Prémio Nobel da Literatura!
 
Quando lemos as suas obras parece que estamos a mergulhar para dentro das páginas. A construção das frases, o uso de adjectivos e os diálogos estão muito bem elaborados e fazem lembrar o nosso Eça de Queirós. Simples e mágico.
 
Tal como Neruda sempre afirmou, Murakami sabe que a arte da escrita não vem de inspiração divina. Não vem da sorte. Não vem com o vento. Vem do trabalho, esforço e dedicação. O uso da palavra e a definição de um estilo de escrita exigem um esforço diário ao longo de muitos anos.
 
Murakami chegou lá. Hoje em 2014, é um escritor consagrado mas em 1978, quando começou a escrever, estava longe de imaginar que aqui chegaria!

 
A sua ambição nunca foi ser romancista. Ele apenas queria escrever um romance. Sabia que se pusesse as mãos à obra conseguiria fazer alguma coisa com um principio, meio e fim.
 
Foi com esta corrente de pensamento que escreveu 200 páginas à mão e as intitulou Hear the Wind Sing. Este livro infelizmente não tem tradução para português.
 
Enviou o manuscrito para um concurso e ganhou um prémio! Logo de seguida escreveu Pinball, 1973. Estes dois livros tiveram bastante aceitação junto dos leitores.
 
 
Nesta altura ele tinha um clube de Jazz chamado Peter Cat, que tinha bastante sucesso! Ele tinha fundado o clube em 1974 através de empréstimos e quando o fechou em 1982 já tinha pago o investimento e estava a lucrar! 
 
Este clube de jazz foi uma experiência muito importante para Murakami. Ele aprendeu o valor das coisas, o valor do dinheiro, conheceu a música e também as pessoas. Quando se gere um bar, é inevitável o cruzamento com histórias das vidas das pessoas, tristes ou alegres! Em muitas das suas obras ele replica histórias que ouviu nestes anos atrás do bar!
 
No final dos anos 70, Murakami estava então a gerir o bar ao mesmo tempo que iniciava a arte de escrever romances. Rapidamente se apercebeu que ia ter de optar por um dos dois, pois abrir o bar, receber os clientes, limpar, arrumar, fechar as contas, gerir encomendas dava muito trabalho! E nas horas livres ele escrevia e era um escritor atrás de uma secretária a fumar os seus 60 cigarros por dia.
 
Em 1982, tudo isto mudou. Falou com a mulher e disse que se ia dedicar à escrita a 100%. Muitos amigos e familiares criticaram esta decisão pois o bar tinha sucesso e o caminho dos escritores/artistas pode ser traiçoeiro... Murakami não desistiu nem ouviu os velhos do restelo. Ele sabia que tinha um romancista dentro de si e queria mostrar a sua obra ao mundo.
 
Deixou de fumar. Começou a correr. Nos últimos 20 anos correu pelo menos uma maratona por ano em diferentes cidades do mundo. A sua média anda nos 5 minutos por kilometro?! (Caro leitor, a maratona são 42 kms!). Deita-se às 10 da noite e acorda às 5 da manhã. Escreve várias horas por dia e antes de se deitar ouve música e lê. E ainda arranja tempo para a família e para treinar.
 
 
 
O seu primeiro romance mais sólido surge em 1982, Em Busca do Carneiro Selvagem.
 
Desde aí já escreveu Kafka à Beira Mar, Norwegian Wood, O Elefante evapora-se, entre outros.
 
 
O seu estilo é transversal em todas as obras. Um pouco de cultura japonesa, uma pitada de fantasia, drama, suspense, amor e muitas outras questões que caracterizam a condição do ser humano e o seu espírito irrequieto... leva-se tudo ao forno e tem-se uma obra de Murakami!
 
Actualmente vive nos Estados Unidos e apesar dos seus 65 anos continua a correr e a escrever!
 
 
Obrigado Haruki!
 
 
 
 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A Arte e o Ser Humano


 
A Arte Nasce Sempre de Alguma Paixão

Para que a arte possa ser arte, não se lhe exige uma sinceridade absoluta, mas algum tipo de sinceridade. Um homem pode escrever um bom soneto de amor sob duas condições - porque está consumido pelo amor, ou porque está consumido pela arte. Tem de ser sincero no amor ou na arte; não pode ser ilustre em nenhum deles, ou seja no que for, de outro modo. Pode arder por dentro, sem pensar no soneto que está a escrever; pode arder por fora, sem pensar no amor que está a imaginar. Mas tem de estar a arder algures. De contrário, não conseguirá transcender a sua inferioridade humana.

Fernando Pessoa, in 'Heróstato'
 
 
Somente pela Arte Podemos Sair de Nós Mesmos

Somente pela arte podemos sair de nós mesmos, saber o que um outro vê desse universo que não é o mesmo que o nosso e cujas paisagens permaneceriam tão desconhecidas para nós quanto as que podem existir na lua. Graças à arte, em vez de ver um único mundo, o nosso, vêmo-lo multiplicar-se, e quantos artistas originais existam, tantos mundos teremos à nossa disposição, mais diferentes uns dos outros do que aqueles que rolam no infinito e, muitos séculos após se ter extinguido o foco do qual emanavam, chamasse ele Rembrandt ou Ver Meer, ainda nos enviam o seu raio especial.

Marcel Proust, in 'O Tempo Reencontrado'

 
Para a Psicologia do Artista

Para que haja arte, para que haja alguma acção e contemplação estéticas, torna-se indispensável uma condição fisiológica prévia: a embriaguez. A embriaguez tem de intensificar primeiro a excitabilidade da máquina inteira: antes disto não acontece arte alguma. Todos os tipos de embriaguez, por muito diferentes que sejam os seus condicionamentos, têm a força de conseguir isto: sobretudo a embriaguez da excitação sexual, que é a forma mais antiga e originária de embriaguez. Também a embriaguez que se segue a todos os grandes apetites, a todos os afectos fortes; a embriaguez da festa, da rivalidade, do feito temerário, da vitória, de todo o movimento extremo; a embriaguez da crueldade; a embriaguez da destruição; a embriaguez resultante de certos influxos meteorológicos, por exemplo a embriaguez primaveril; ou a devida ao influxo dos narcóticos; por fim, a embriaguez da vontade, a embriaguez de uma vontade sobrecarregada e dilatada. — O essencial na embriaguez é o sentimento de plenitude e de intensificação das forças. Deste sentimento fazemos partícipes as coisas, contragemo-las a que participem de nós, violentamo-las, — idealizar é o nome que se dá a esse processo. Libertemo-nos aqui de um preconceito: o idealizar não consiste, como se crê comummente, num subtrair ou diminuir o pequeno, o acessório. Um enorme extrair os traços principais é, isso sim, o decisivo, de tal modo que os outros desapareçam ante eles.

Friedrich Nietzsche, in "Crepúsculo dos Ídolos"