segunda-feira, 30 de junho de 2014

Frida Kahlo

Frida Kahlo nasceu a 6 de Julho de 1907 na cidade de Coyoacán, México.
 
 
A sua imagem, obra e ideologia tornaram-na imortais.
 
Em termos estéticos a sua beleza divide as opiniões. Para muitos era grotesca com o seu bigode e sobrancelhas acentuadas. Para outros era linda e representava como ninguém a mulher mexicana.
 
Para mim o seu bigode era tão bonito como o do antigo treinador do Porto e Benfica, Artur Jorge.
 
 
Nasceu, cresceu, viveu e morreu na Casa Azul, que actualmente funciona como Casa Museu Frida Kahlo. As suas cinzas ainda lá se encontram depositadas numa pequena urna.
 
 
Aos 6 anos de idade contraiu poliomielite, doença que lhe deixou uma lesão permanente no pé direito.
 
Neste campo a vida da Frida foi muito azarada tendo tido muitas doenças, lesões, acidentes e operações ao longo da mesma!
 
Quando tinha 18 anos, em 1925, sofreu um grave acidente. Estava dentro de um autocarro quando este embateu num eléctrico. O para-choques deste atravessou-lhe a pélvis e saiu pela vagina causando-lhe graves hemorragias.
 
Por causa deste acidente Frida nunca pode ter filhos. Apesar de ter estado grávida várias vezes, nunca conseguia levar a gestação até ao fim tendo tido vários abortos. Esta condição foi motivo de algumas das suas obras.
 
 
Foi no período de recuperação pós-acidente, que começou a pintar, usando um cavalete adaptado à cama.
 
 
Em 1929 casou com Diego Rivera.
 
 
Diego incentivou Frida a pintar a identidade mexicana. Este incentivo também ficou patente na forma como se vestia ou nas joias e maquilhagem que usava.
 
Diego enganava Frida, inclusivamente com a irmã mais nova desta, Cristina! Um dia apanhou-os em flagrante na cama e cortou todo o seu cabelo! Quando Frida se separou pela primeira vez de Diego este teve 6 filhos com Cristina. Frida nunca perdoou Cristina.
 
As suas obras mais famosas incluem diversos auto retratos. Segundo ela, "Pinto-me a mim mesma porque passo muito tempo sozinha e é o motivo que melhor conheço."
 
 
Num dos seus auto retratos mais famosos, As Duas Fridas, pintou a Frida com as influências Europeias dos seus pais (a mãe era de origem espanhola e o pai alemã) e a Frida mexicana. Os corações de ambas estão ligados!
 
 
Conheceu Picasso e Trotski com quem chegou a ter um caso amoroso. De salientar que Frida era bissexual.
 
André Breton, autor do manifesto surrealista classificou os seus quadros de surrealistas.
 
Ela negou, afirmando que nunca pintou os seus sonhos, apenas a sua realidade.
 
Morreu em 1954, apenas com 47 anos. Sobre a morte disse que esperava a mesma alegremente e esperando nunca mais voltar...
 
 
 
Obrigado Frida!
 
 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Ana Menezes


Ana Saraiva de Sousa Menezes nasceu em Oeiras em 1981.



Hoje o Artes e Tartes volta ao mundo da moda, depois de há umas semanas termos entrevistado Marta Leitão.

A Ana é Formada em Design Industrial com Especialização em Design de Moda.

O seu trabalho é uma lufada de ar fresco e uma inspiração. As respostas da Ana nesta entrevista juntam a simplicidade e a emoção com uma estratégia clara de abordagem ao mercado. Esta jovem estilista tem tudo para vencer porque aplica no seu trabalho algo que todos deveríamos aplicar também no nosso ofício: paixão!

Talvez daqui a uns anos tenhamos a sua arte exposta nas grandes passerelles e montras internacionais. Assim o desejamos!

Gosta de pensar a preto e branco e para já ainda não faz roupa para homem. Para quando Ana??

Para ela a arte é " toda a forma de expressão que tem a capacidade de transcender quem a vê/ sente/ ouve. Parece uma definição chata mas é mesmo o que sinto. É qualquer coisa que ultrapassa os limites da compreensão. Cada pessoa tem os seus limites e por isso cada pessoa tem as "suas" artes."
 
Os seus artistas de referência são Frank Lloyd Wright na arquitectura e também Balenciaga na área da moda. Para ela, trata-se de alguém que "explorou formas e volumetrias na moda como nenhum antes."



Recentemente também descobriu Beethoven. Aliás " o que é recente é o gosto por ouvir e querer ouvir mais. Aquela coisa do transcendente que falei há pouco, aplica-se aqui na perfeição."

Vamos então tentar perceber o que inspira a Ana, como se desenrola o seu processo artístico e quais os seus sonhos e projectos actuais.


Artes e Tartes - Ana, tens desenvolvido o teu trabalho na área da moda. Queres dizer-nos quais foram os teus maiores estímulos? Quem te incutiu o bichinho por esta área?

Ana - Acho que nasceu comigo. Fartava-me de rabiscar vestidos quando era pequena mas na altura de escolher o curso, achei que a Moda era uma escolha pouco abrangente. Comecei em Arquitectura e acabei em Design Industrial. Estas duas disciplinas são as que mais me inspiram nas minhas peças. Gosto de formas e de linhas, de volumes e geometrias. Coisas mais brutas, gráficas. 

AT - Sei que neste momento estás a trabalhar em dois projectos nesta área da moda, queres explicar aos nossos leitores em que consistem?

Ana - Criei o  Atelier By Ana Menezes há 7 anos quando cheguei de Madrid, onde estudei Design de Moda. 

No atelier dedico-me essencialmente a fazer vestidos de noiva e vestidos exclusivos por medida. Aqui cada projecto é único e desenhado para aquela cliente particular. As noivas é o que me dá mais gozo, adoro! Um vestido de noiva é muito mais um objecto que vai ganhando forma em cada prova (fase) e é completamente emocional. Tem que ser perfeito para aquela noiva, para aquele dia. Tem que ser "O Vestido"! Tenho noivas que só quando se vêm de vestido de noiva é que dizem "Eu vou mesmo casar...!" Parece que só naquela altura é que se fez luz e isso é muito giro de acompanhar.


O outro projecto é a BAM, que nasceu em Fevereiro.

É uma marca que pretende simplificar esta coisa da Moda. São peças simples mas sempre com um toque diferente que podem ser usadas em vários contextos. A ideia é que se possa usar cada peça em modo relax e em modo trabalho. Simplificar é aqui a palavra de ordem. Costumamos dizer que as clientes têm que "BAM it" ou seja, dar outra utilização às peças BAM. Usá-las ao contrario, arriscar e fazer misturas arriscadas são as sugestões.



Como vês, são dois projectos quase opostos. Se no atelier trabalho a parte da exclusividade e concepção de peças únicas, muitas vezes mais "fora", na BAM tento responder a todas as pessoas que se identificam com a marca. Um lado de pronto-a-vestir embora numa escala mais pequena.



Links para os projectos da Ana:

 www.facebook.com/goesbam

instagram.com/bamgoesinstagram

AT - Como se desenrola o teu processo artístico, desde o momento em que tens uma ideia até aparecer um vestido por exemplo? Lembro-me de há uns anos ver uns desenhos de uns vestidos teus muito bonitos. Como se desenrola todo esse processo, tendo em conta os custos, materiais, desejos do cliente, etc...

Ana - O processo tem várias etapas e o objectivo é que seja personalizado e eficaz.

O mais importante de tudo é a primeira conversa que tenho com a cliente. Muitas vezes não as conheço e naquele espaço de tempo tenho que lhes "tirar a pinta" para conseguir desenhar um vestido com que elas se identifiquem. 

Se se identificarem com o projecto que lhes envio, a confiança em mim cresce exponencialmente. 

Uma vez aprovado o projecto e o orçamento, começam as provas. É um processo em que as clientes acompanham todas as fases. Primeiro prova-se o forro do vestido, onde se consegue ver a forma do vestido e como vai assentar. Aqui definem-se os tecidos e ajustam-se cores. Depois seguem-se mais uma ou duas provas em que o vestido vai crescendo até ser fechado e entregue!



AT - Como definirias o teu estilo? Gostas de fazer peças práticas? Luxuosas? Simples? Só com materiais Portugueses? Com cores? Só para mulheres? Ou seja qual é a tua linha de concepção, enquadramento e pensamento quando estás a criar? Segues a tendência ou crias a tua própria tendência?

 Ana - Achei piada à pergunta "Com cores?" Porque na verdade penso nas coisas a preto e branco! Acho que estas duas cores são imbatíveis. Mas as cores existem e as pessoas gostam de usá-las, por isso depois "pinto" as ideias originais.

Em relação ao meu estilo diria que é muito gráfico, muito clean. Gosto de linhas simples mas com formas definidas. Não sou de coisas cheias de detalhes nem acessórios. Gosto de coisas puras, que vivem por si só.



Só para mulheres? Desculpa mas acho que sim! Os homens são uns chatos neste campo, acham que tudo o que é diferente é menos másculo (Sorry!).



(Nota da Redacção: Este senhor gosta de coisas diferentes!)

As tendências estão sempre presentes, ainda que inconscientemente. Não lhes presto grande atenção e as vezes até fujo delas para manter a originalidade. Para mim, as verdadeiras tendências quando saem cá para fora já estão ultrapassadas. A grande questão é estar à frente delas e isso consegue-se com sensibilidade e feeling.

AT - Para além da moda, qual é a tua relação com a arte? É algo importante na tua vida do dia-a-dia?

Ana - É essencial. Sou muito observadora e registo tudo o que me chama a atenção. Vivemos rodeados de arte. É uma questão de se estar atento.

AT - Por fim, quais são os teus maiores sonhos em termos de carreira profissional? Sem quaisquer filtros ou limites, onde gostarias mesmo de chegar?

Ana - Eu gostava que a BAM chegasse mesmo longe. Gostava que as pessoas a reconhecessem e já não conseguissem viver sem ela. Que a vissem não só como peças de roupa mas como uma instituição, uma nova maneira de vestir.

Nesta fase, a BAM já teria linha de joalharia, sapatos, linha de Homem e de Criança! Disseste que era sem filtros... :)

  

Obrigado Ana!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Artistas da Bola

Daqui a algumas horas a Selecção de Portugal entra em campo no Mundial 2014.



Hoje o Artes e Tartes entra no mundo do futebol. Porquê? Porque o desporto rei é para muitos uma arte sem igual!

Uma finta estonteante, um sprint com a bola dominada, um corte limpo de um defesa, um centro milimétrico, um guarda redes a voar, tudo isto é arte!

Nas outras formas artísticas que já foram abordadas aqui neste blog, tem-se falado muito sobre o processo artístico. A forma como os artistas executam a sua arte e se preparam para ela.

O futebol não foge a esta regra. Para se atingir um elevado nível de performance são necessários anos de trabalho. É necessária uma entrega total aos treinos para se conseguir executar determinados movimentos.

Mas para além do treino depois há aqueles que se conseguem sobressair pelas suas capacidades e maneira de ver e sentir o jogo. Se sujeitarmos o Ronaldo e um ser humano normal às mesmas condições de treino, alimentação, preparação, etc... o Ronaldo vai ter uma performance mais elevada. Nas outras artes é igual. Seja na pintura ou na música, há os artistas e os super artistas!

Uma das coisas que mais impressiona nos grandes jogadores é a noção do espaço. Neste campo, a arte de jogar futebol está plenamente relacionada com características inatas. Com os 5 sentidos de cada jogador.

E por isso é que os génios são todos diferentes uns dos outros. Na pintura por exemplo é o mesmo, há pessoas que vêm ou sentem as cores de forma diferente.

Quem já jogou futebol de 11 conhece o tamanho do campo. E de facto apenas um génio com uma grande visão de jogo, tacto nos pés e até audição apurada para saber quando tem adversários por perto consegue executar o jogo e os seus movimentos na perfeição.

As decisões são tomadas em segundos e por isso a condição física também é crucial: tem que haver oxigénio na cabeça e nos músculos. Os alongamentos, velocidade, técnica e capacidade de salto também são treinados e facilitam a capacidade de execução.

Por fim a atitude e maturidade. Ferver em pouca água, precipitação, falta de espírito de equipa, indisciplina ou displicência não ajudam na prática da arte. Ou seja, a cabeça também faz o artista e ajuda à inspiração. Muitos músicos ou escritores atingem os seus picos máximos ou maturidade artística com determinada obra ou período das suas carreiras. No futebol é igual. A cabeça tem que estar no sítio certo.

Em Portugal trabalha-se bem a arte do futebol. Por isso temos conseguido bons resultados por esse mundo fora, mesmo tendo em conta que somos um país pequeno. Trabalha-se a mentalidade, o sistema de jogo, a parte física e técnica.

O Mundial é a montra do futebol. É aqui que são avaliados não só os jogadores mas todo um país! Hoje quando virmos o Rui Patrício a defender, o Bruno Alves a cabecear ou o Ronaldo a marcar, estamos a olhar não só para o seu trabalho enquanto artistas mas também para aquilo que são as condições de trabalho que o país lhes deu e todas as centenas de pessoas que os apoiaram.

E aqui surge a pergunta: se somos tão bons a dar estas condições aos futebolistas porque também não as damos aos escritores, músicos e pintores? Porque emigraram Maria João Pires e José Saramago? Será que apenas o futebol deve ser um motivo de orgulho em Portugal?

Os portugueses elevam-se e motivam-se quando são apoiados e sentem que têm condições para chegar mais longe. Temos uma componente genética única no mundo que nos permite ser bons em qualquer coisa que queiramos fazer.

Já são milhares a treinar futebol desde miúdos, agora imaginem se assim fosse noutras áreas artísticas.

Exércitos de músicos e pintores. Estádios cheios de inovadores e criativos a apoiar os nossos artistas. Noticias na RTP de cada vez que um escritor saia de casa para ir a uma livraria. Manifestações na Avenida da Liberdade de milhares de pessoas para se baixar o IVA dos pianos.

Força Portugal, vamos à vitória no futebol... e também em todas as outras artes!


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Diogo Batalha

Diogo Batalha nasceu em Lisboa algures no decorrer do século XX.



O Diogo fez sempre o seu percurso artístico ligado a música, nomeadamente na bateria.

Já tocou com grandes nomes da música portuguesa e uma vez lembro-me de o ver na televisão a tocar num anúncio do Jumbo! Isto prova algo que já temos vindo a abordar aqui no Artes e Tartes: as artes também têm um lado comercial e há muitas oportunidades nesta área!

Nesta entrevista demos a chance ao Diogo de ser Ministro da Cultura ou Educação e saber o que ele faria pela música em Portugal. As respostas foram muito interessantes e entre as medidas propostas estava uma que era acabar com programas do género "Ídolos"!

Avança para a política Diogo, tens o meu voto! 

Para ele a arte "é um processo criativo em que nas diferentes áreas (música, dança, escultura, pintura etc), o artista exprime de uma forma natural e intuitiva as emoções, ideias e o conhecimento dele próprio. É por isso único e diferente para cada obra."

Os seus artistas de referência são Prince, James Brown, Sting, Tower of Power, Bob Marley, Mikhail Baryshnikov e muitos, muitos mais. 



Hoje o Artes e Tartes homenageia este artista tentando compreender melhor as suas fontes de inspiração, percurso musical e sonhos! 

Artes e Tartes - Diogo, queres contar-nos um bocadinho como começou a tua ligação à música e mais em concreto à bateria? Quais foram as tuas maiores influências? Os pais ou a escola por exemplo?

Diogo Batalha - A música desde sempre esteve presente na minha vida. A minha mãe é Professora Catedrática em dança, e grande parte da  minha família tocava piano ou violino. Aliás o meu primeiro instrumento foi piano, mas desde muito cedo que acompanhava imenso a minha mãe em espectáculos de música e dança e sem dúvida que era a bateria que me deixava de boca aberta e de olhos vidrados. De qualquer forma o meu primeiro concerto foi na escola a tocar piano com 10 anos.

Depois disto num Natal, os meus pais ofereceram me uma aparelhagem e eu com os caixotes de cartão fiz a minha primeira bateria. Durante muito, mas muito tempo tive os caixotes cheios de fita adesiva montados em cadeiras no meu quarto onde tocava a acompanhar discos. Estava sempre a ouvir música. Passado uns tempos comprei a minha bateria por 40 contos e nunca mais parei.



Sem dúvida que a minha mãe foi a minha maior impulsionadora e quem me apresentou o mundo dos teatros, dos palcos, dos camarins, da música e dos espectáculos. Era o meu programa preferido…

AT - Fala-nos um bocadinho do teu passado e presente na música? Já tiveste alguma banda? Onde já tocaste? Andaste em alguma escola de música por exemplo?

Diogo - A uma dada altura decidi aprender mais a serio a tocar e tive a felicidade de começar a ter aulas com um dos maiores bateristas de Portugal que na altura tocava com o Rui Veloso. Estive vários anos a estudar com Manuel Costa Reis ao mesmo tempo que estudei e acabei o curso de Biologia na Faculdade de ciências da Universidade de Lisboa.

Até que em 1998 conheci um dos mais conceituados professores de bateria do mundo, o Michael Lauren, com quem comecei a estudar sempre que ele vinha a Portugal, ou sempre que eu ia aos Estados Unidos. Até que em 2001 decidi deixar as biologias e ir estudar a fulltime talvez,  para a mais conceituada escola de bateria do mundo, a Drummers Collective em Nova Iorque. Foi uma experiência incrivel e única, onde tudo aconteceu. A partir dai e mesmo já tendo tido bastante experiência como músico em Portugal de uma forma amadora, tornei me totalmente profissional.


Em termos de experiência como baterista já toquei ou gravei em Protugal e em diferentes paises com artistas como The Black Mamba, Melo D, Ciro Cruz, Sam the Kid, Yuri Daniel, NBC, Carlos Barreto, Da Weasel, Edgar Caramelo, Lena D´Agua, Sadao Watanabe, Ena Pá 2000, Mundo Complexo, Fúria do Açucar, Skalibans, Nuno Guerreiro, General D, Prince Wadada, Marcelo D2, Syrup, Wanda Stuart entre muitos outros.

Links para os trabalhos do Diogo:


https://www.facebook.com/pages/Diogo-Batalha/152880368087991

AT - Achas que o dom de tocar um instrumento nasce com a pessoa ou é tudo fruto do trabalho?

Diogo - Eu acredito que nem toda a gente tenha a mesma facilidade de tocar qualquer instrumento. Mas também sei que não há ninguém que seja um grande músico que não tenha passado anos a estudar muitas horas todos os dias independentemente do instrumento que toca para se tornar num grande músico. Acredito que o talento faz no final a diferença dos super craques para os muito bons músicos, mas todos eles passaram por um período muito, mas muito longo de estudo, dedicação, aprendizagem e que continuam a estudar imenso. 80% transpiração, 20% Inspiração.

Acho também que poderão haver instrumentos mais fáceis para começar a tocar, mas acredito piamente que para atingir um altíssimo nível de performance, todos os instrumentos exigem o mesmo esforço e dedicação ao longo de muitos anos.



AT - Hoje em dia, em Portugal, é possível viver-se só da música? 

Diogo - Eu acredito que com muito empenho, perseverança, dedicação, alguma sorte e talento se consiga viver da música em Portugal. Eu pessoalmente para além de tocar e para me ajudar financeiramente dou aulas e faço a programação musical de um hotel de 5 estrelas de Lisboa, mas não faço nada que não esteja ligado directamente à música. Fácil não é, mas é possível!!!!

AT - Se fosses ministro da cultura ou da educação em Portugal o que farias para melhorar o panorama musical português?

Diogo - Sem dúvida que eu penso que um país sem cultura é um país sem identidade, é um país ignorante, básico e torna se num país sem um dos pilares principais de um estado desenvolvido e com algo para contar. A cultura é um dos legados de cada país e nação.

Se fosse ministro com certeza que iria tentar arranjar forma de melhorar as condições dos artistas em Portugal.  Em relação à música em concreto acho que teria de haver incentivos fiscais para os músicos por um lado e para os bares, salas de espectáculos, hotéis etc, por outro para que pudessem contratar mais músicos profissionais (e não o amadorismo que se vê muito por ai) e assim aumentar quer o nível da música quer o nível de vida dos músicos em geral.

Acho também e como se vê noutros países da Europa, que a quota de música nacional nas rádios nacionais deveria ser por lei muito maior do que a actual. É vergonhoso que a maioria das rádios tenham menos de 10% de musica nacional nas suas playlists.




Em relação à educação é óbvio que deveria haver uma evolução maior nos programas do ensino da música das escolas públicas de acordo com as necessidades e com a evolução do ensino e da própria música. Para além disto é crucial que todos os professores de música, não só nas escolas publicas, mas em todas as escolas de música, sejam músicos (professores) realmente habilitados e preparados para ensinar ao mais alto nível. Só com um bom ensinamento se poderão criar bons músicos. Este ponto é crucial.

Por ultimo acho que proibiria todos e quaisquer programa tipo Ídolos e afins… É uma mentira e faz com que muitos cheguem a acreditar que entrar num programa desses, mesmo que o ganhem irá fazer com que tenham uma carreira brilhante cheia de sucesso. São raríssimos os músicos que saíram desses programas que tenham actualmente carreiras de sucesso. Saem de lá a pensar que são estrelas e simplesmente não sabem nada mas nada de música!! Aliás deveria haver um programa desse género que em vez de serem pseudo-cantores, os participantes, deveriam ser instrumentistas…passado 3 meses iriam ver o que conseguiriam fazer! É uma utopia, uma mentira…que invistam antes essas verbas em formação e em escolas de qualidade.


Uma das coisas que me irrita nestes programas é ver as famílias a dizer "aí o meu menino é muito jeitoso, é muito talentoso (são sempre muito talentosos), quer ser cantor desde menino" e os concorrentes a dizerem "sonho em ser cantor e músico desde criança, sou apaixonado por música desde sempre" e acham que é num programa que se vão tornar músicos profissionais cheios de sucesso!!?? Se gostam e queriam tanto e se realmente era um sonho, não faria sentido sair do conforto, lutar por isso e irem estudar música e perceber que as coisas não caiem do céu!!!??

AT - Por fim quais são os teus projectos para o futuro? Qual é o teu maior sonho em termos musicais?

Diogo - Neste momento e desde há 2 anos um dos grandes projectos que tenho, juntamente com o Michael Lauren é a “International Drum Academy”.



É uma academia que nasceu há cerca de 2 anos e que já tem mais que 220 membros. É uma academia que funciona em Lisboa, onde se ensina bateria ao mais alto nível, em que toda a gente é bem vinda e partilha o seu conhecimento e experiência. Temos membros desde os 6 anos de idade até aos 70 e níveis desde o iniciado ao mais profissional cheio de experiência. Fazemos Workshops todas as semanas com diferentes tópicos para além de programas custom e diferentes tipos de aulas. É sem dúvida um projecto do qual me orgulho muito.

Para além da academia estou neste momento a meio de um mestrado em performance em Jazz na Esmae no Porto (escolar superior de música e artes do espectáculo). Como músico continuo como freelancer e felizmente cada vez tenho tido mais trabalho, sobretudo de qualidade.

Em termos de sonho, sem dúvida que fazer uma digressão mundial (ou várias) com um artista de topo em termos mundiais. Desde o Prince, ao Justin Timberlake, Sting, Bruno Mars, Beyonce, Earth Wind & Fire aos músicos de Jazz como Herbie Hancok, Keith Jarret, John Scofield entre muitos outros.

Qualquer um destes panoramas seria um sonho.



Obrigado Diogo!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Francis Bacon


Francis Bacon nasceu em Dublin em 1909.


Este senhor era aquilo a que podemos chamar "Um granda maluco!"

Para além de pintor foi homossexual, bêbado, drogado, sadomasoquista e viciado no jogo.

Nunca teve qualquer formação em arte e orgulhava-se disso. A forma como trabalhava no seu estúdio era bastante curiosa. Fazia misturas de tintas nas paredes. O caos era uma constante...


Nessas mesmas paredes, afixava várias imagens e objectos que o inspiravam e depois misturava tudo no mesmo quadro. A noção de grotesco e de movimento que por vezes verificamos nas suas obras não passa disso mesmo: da sobreposição de várias fotografias que até podiam fazer parte da mesma sequência.



Sofria de asma e de alergias a várias plantas e animais.

As suas obras não deixam ninguém indiferente.

Pintou sobre temáticas como o masoquismo, pedofilia e violência. Adorava fazer caras grotescas e em sofrimento. Referências a sangue, esperma e urina são comuns nos seus quadros.


Se estava a produzir um quadro e a determinada altura não gostava dele, por e simplesmente queimava-o...

Em determinada altura da sua carreira deixou de ter dinheiro para comprar telas... e então começou a pintar na parte de trás das mesmas. Para ele foi uma grande descoberta! Supostamente o pigmento da tinta agarrava melhor na nova superfície!

Na colecção Berardo, no CCB em Lisboa, está em exposição a obra de Bacon "Édipo e a Esfinge".


A esfinge guardava a estrada para Tebas e colocava um enigma a quem quisesse passar. Quem falhasse era morto e pendurado pelas pernas (daí todo o sangue na perna na imagem acima). O enigma era: Qual o animal que de manhã tem 4 patas, à tarde 2 e à noite 3? Por acaso Édipo acertou...

Outra obra famosa de Bacon é o "Tríptico de Lucien Freud". Leiloado em 2013, por 127 milhões de dólares, é ainda hoje a obra mais cara de todos os tempos à frente do "Grito" de Edward Munch.


Morreu em 1992 e é considerado um dos maiores artistas britânicos do Século XX!


Obrigado Francis!